domingo, 1 de janeiro de 2012

a árvore dos desejos


o dia se apresentou com uma névoa branca...o tempo foi curto para tantas coisas que o dia desejava...ao sair me deparei com a luz âmbar que sem delongas deixa tudo num passado do qual eu não vivi mas gostaria de pertencer as vezes...eu queria encontrar os morcegos do largo São Francisco...eu queria ter você a minha espera e eu queria lhe presentear com o mais doce dos beijos.
a vida era frágil, eu tentava ser forte o suficiente pra resistir...resistir a pele que se arrepiava com seu toque...uma pele macia, fina, branca e gélida que você mapeava na ponta dos dedos como se meu corpo fosse uma inscrição em braile banhada de perfume e doce ao seu paladar.
completamente mergulhada no prazer que seus olhos transmitiam, inebriada de um desejo que não cabia em mim, entregue a sua volúpia o mundo parecia perfeito.
eu estava lá, o mundo girava como o líquido adocicado que coloria a taça de um vermelho escuro...ia deixando na boca um gosto bom e suave.
a música me inebriava a alma e eu de olhos fechados me deixava levar por cada nota que ela emitia, meu corpo inerte não era capaz de prestar atenção a nada que não fosse a obrigação de me fazer sentir toda aquela vida que eu queria consumir.
o perfume dos jasmins me entorpeciam...
eu desejei que as horas não passassem, desejei que nada fosse diferente e ao mesmo tempo não desejei mais nada que não fosse estar exatamente alí.
eu quis respirar todo aquele perfume e esperei que lentamente ele penetrasse a minha pele.
a vida passou a ter um significado diferente, uma chuva forte e quente, torrencialmente...deixei meu corpo ser lavado e o perfume se misturava a água que escorria pelo meu corpo e espalhava-se pelos caminhos....adormeci com o meu desejo mais intenso, o de ser feliz!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

e o brilho apagou

Tem dias em que tudo se passa assim...hoje fiz um esforço gigantesco e fui me jogando pra fora da minha cama...os olhos pesavam sem vontade de abrir...eu teria dormido o dia todo se me fosse possível.
Me jogo de corpo e alma no trabalho pra que o cansaço me vença sempre.
Por muitos anos achei que seria preciso muito pra conseguir passar sem ser percebida, hoje me dou conta de que não precisarei de tanto para isso.
Os dias seguem e cada vez mais tenho certeza da frase doce que um dia me disseram "viver sem que a presença seja notada"...aprendi a ficar nos bastidores e a olhar a distância como se eu pudesse narrar diferente aquela história, mas não foi assim.
Sinto, que com o caminhar das coisas as pessoas me vejam com auto-piedade ou comiseração, jamais tive esses sentimentos e R. hoje me disse uma coisa muito importante..."o seu brilho se apagou".
De fato ela tem razão...eu não sei se um dia eu tive um brilho, sei que hoje me concedo a quietude, o silêncio, o sorriso menos fácil.
Estou cuidando do vazio e por mais difícil que seja a compreensão disso, esse vazio me faz olhar e ver coisas que antes eu não me dei ao trabalho de ver. Consigo dimensionar o peso da presença insistente e o tamanho do esforço que foi...mas vou saindo, andando pela beiradinha e na ponta dos pés.
E hoje ao ler as palavras de R. me dei conta que um ano se passou e que neste um ano bastante significativo, de fato nada foi notório e um conforto me invadiu, como se eu fosse invisível a todos os olhos.
Andei pelas ruas como se meus pés não tocassem o chão, foi bom sentir o vento passar por mim como se nada o impedisse de seguir seu curso natural.
Me calei ,como há muito não fazia, apenas para contemplar o meu silêncio. Uma conversa comigo mesma.
E se o brilho se apagou é porque mais cedo ou mais tarde teria que ser assim, talvez tenha sido assim sempre e só agora se faz tão visível.
Vou fechando o ano sabendo que não mais esperarei muito para que a "presença jamais seja notada".

domingo, 27 de novembro de 2011

Sou louca por você

















eu queria ser mais forte, eu queria resistir...mas eu não consigo, não sei fazer isso.

sem que eu deseje você me invade, me dilacera, me rasga em mil pedaços, eu perco o norte, eu não acho as palavras.
as coisas não dependem mais de mim e da vontade que eu brigo todos os dias pra não estar perto de você, eu estou desistindo do que eu achei que fosse possível ao seu lado.
desejo toda a felicidade do mundo pra você, porque te ver feliz me deixa feliz mesmo que pra isso eu esteja jogando toda a minha na lata do lixo.
eu mergulho nos seus olhos tentando achar onde foi que eles se apagaram, mapeio cada gesto querendo encontrar os motivos do porque será outro alguém que te fará sorrir, será pra outra que você contará seus desejos, suas descobertas, seus planos...eu poderia sobreviver sendo apenas sua amiga mas não posso suportar a sua indiferença.
vejo você brincando, rindo, sendo moleque e criança sapeca com as outras pessoas e mal me encara nos olhos e de fato não entendo o motivo real já que eu me faço de forte, segura e pareço seguir a vida como se nada houvesse dentro de mim gritando porque morre um pouco mais a cada dia.
sinto que a distância entre a gente vai ficando cada vez maior...dói.
um dia eu já te abracei com tanta força, hoje mal nos falamos, se quer nos tocamos e o pior é ouvir das pessoas que você sempre foi assim, eu que te via diferente...mas eu sei que não era assim e até entendo que tudo tenha mudado e entendo mais ainda que eu sim agora preciso de um tempo, eu preciso digerir você, eu preciso te conhecer de novo como o amigo que você sempre foi, como o cara que gosta de mandar msgs pra todas as pessoas, como o cara que me conta coisas sobre suas sensações, emoções e distrações sendo a coisa mais comum do mundo.
que me trás lápis do mundo todo apenas por uma brincadeira para amiga louca.
cada vez que olho pra eles tento identificar o que você sentia e o que pensava ao comprá-los...sem resposta me alimento de um sonho do qual desejo sempre não querer acordar, mas meus olhos se abrem mostrando uma realidade dura, nua e crua da qual eu faço parte.
eu queria ser sexy suficiente para os seus olhos, ser a mulher da sua vida, eu queria fazer parte dos seus planos, eu queria ser o seu desejo de consumo, eu queria ser sua, somente sua...inteiramente sua.
me doar de corpo e alma para o seu pleno prazer, somente para o seu prazer.
eu queria ser devorada pelos seus olhos, eu queria receber um email no meio do dia me contando quais eram seus pensamentos naquele momento pra me escrever...eu queria saber do seu desejo secreto para o nosso próximo reencontro...eu queria ser a menina dos seus olhos...eu queria te mandar um trecho mais ardente do ultimo livro que estive lendo...eu queria que a sua resposta fosse vamos tirar isso do papel fácil, fácil...eu queria sentir o calor da sua pele, o toque das suas mãos...
eu queria fazer parte do seu presente e do seu futuro e nunca virar um passado.
eu só desejei um dia que você pudesse me ver.

aquele copo de vinho no jardim ainda tem a marca do meu batom...o vestido de seda que deslizava sobre meu corpo ainda tem o seu perfume, ainda busco pela sensação da grama úmida a tocar meu corpo, pelo calor dos braços que me aqueciam, da boca que me provocava, dos olhos que me desejavam com volúpia, dos batimentos acelerados, da respiração lenta e morna...fecho os olhos e é lá que ainda estou...

sábado, 22 de outubro de 2011

-/-

tem dias em que é assim, os olhos abrem, fazem força pra piscar e você se faz aquela pergunta: porque é que estou assim? sem entender carrega o dia como se fosse a única coisa que tivesse que fazer, carregar a sí mesmo sem que isso seja nada mais que uma obrigação.
uma tristeza infinita enche os olhos de lágrimas que mesmo que eu não permita insistem em cair e continuo me perguntando o porque e ai vou descobrindo que muita coisa me deixa triste, a fome, a miséria, a falta de saúde, a falta de humanidade e acima de tudo a falta de compaixão, e me sinto envergonhada de tanta tristeza. De fato J. tem razão quando me diz se não é feliz, faça algo, nem que seja se jogar da janela. Acho que por anos imaginei que isso dela eu jamais escutaria. E no fim o que dói não é o ouvir e sim saber que ela tem lá sua razão, mas desde que me entendo por gente sou assim, fraca, covarde comigo mesma e assim vou carregando a vida.
Quando vem um embate como o de hoje, sinto o mundo pesando na minha cabeça, quanta tristeza por uma doença silenciosa que chega aos poucos, debilitando, atrofiando...morrer consciente deve ser doloroso demais e eu pareço uma esponja...absorvo e muda me dilacero em mil pedaços ainda com vergonha da minha tristeza sem precedentes.
eu não queria que fosse assim.
queria não ser um peso na vida de quem me cerca, queria ser motivo de orgulho mas o fato é que mais uma vez alguém que já me disse isso tem razão...não sou nada pra ninguém e acho que no fundo e no fim das contas nem para mim mesma.
hoje brigo com o peso que não consigo perder, brigo com as roupas que vão deixando de servir e ficarem bonitas e com aquelas que nunca usarei porque meu bom senso diz que elas não foram feitas pra mim.
não há nada tão frustrante do que entrar numa loja querer uma coisa e ela simplesmente ficar péssima em você, porque o manequim para o qual ela está projetada e sendo vendida é a metade da pessoa que quer comprar.
outro dia passei em frente a uma loja que vendia roupas em tamanhos grandes (modo generoso de nos chamar) e ai na vitrine misturado aos manequins barris, fiquei horas me perguntando de quem seria tal idéia tão monstruosa e claro não encontrei uma resposta.
bom mas não era disso que eu ia escrever e sim dessa falta de vontade, desse jeito de quem um dia viu que era importante pra alguém e hoje não é mais nem pra sí mesma.
sim, é assim que eu me sinto vergonhosamente.
sentimos falta das pessoas ou pelo menos eu sinto, mas tenho certeza de que eu não faria falta pra ninguém.

*.*

tá virando rotina me fazer chorar...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Utopia



Há mais de dois meses eu frequento o anexo apenas me recordando de fragmentos do que vivi, porém agora escrever se faz mais necessário do que nunca. Eu preciso sobreviver a mim e a você.


Eu sentia meu corpo dilacerado por um desejo desesperador...eu não sabia pra onde você ia e nem o que esperava daquela noite...desejei que o sono me consumisse só para que eu não pudesse mais alimentar a minha angustia, em vão pois você habita meus sonhos.


Deixo me levar pela noite que é de calor e chuva fina...ouço a água escorrer por entre as árvores, dentro de mim algo se mistura, sinto você passear pela minha pele, deslizando em cada curva como se conhecesse aquele corpo completemente em suas mãos...me transporto pra outra dimensão e lhe concedo todos os direitos aos quais a volúpia da sua vontade me impõe.


Gosto dessa submissão ao seu desejo, fecho meus olhos e inicio uma viagem que parece sem fim...respiro fundo tentando absorver todos os perfumes daquela paisagem, quente, húmida, cheia de símbolos e significados como um capa que nos protege.


Você brinca com os meus sentidos, sorri como uma criança quando sabe que faz uma traquinagem, mas me surpreende com a força adulta que me segura em seus braços. Meus batimentos se aceleram no mesmo ritimo do aumento do seu desejo...me rendo aos teus encantos e a vida parece ganhar novos sentidos pelo brilho dos teus olhos, onde mergulho num mar profundo do seu prazer. A linha que nos separa da alegria e do abismo é tão tênue que as vezes parecem ser uma só, como os corpos que se misturam, como as bocas que se consomem e como uma vontade que parece nunca ter sido diferente uma da outra. Sem saber ao certo onde terminava o sonho e começava a realidade o dia se apresentaria com um sol delirante e um céu azul de fim de outono que me faria lembrar sem vergonha daquela praia, daquele dia de sol gélido e dilacerante de inverno...ao fechar os olhos eu poderia ouvir de novo a sua respiração acompanhando o ritmo das ondas daquele mar que nos banhava de paz e nos enchia de vida. Chorei...por instantes quis parar o tempo para que aquele dia nunca tivesse terminado, pra que não tivesse sido tão doloroso te ouvir depois, pra que você nunca tivesse me visto chorar, pra que você nunca tivesse deixado de compreender o que talvez jamais tenha compreendido. Desejei que o mar pudesse me devolver toda aquela felicidade daquele dia com gosto de sorvete de chocolate italiano...de sombras nas paredes e calçadas de uma cidade complexa e cheia de histórias...que me encanta tanto quanto o seu sorriso, que me faz perder os sentidos, que me deixa sem saber pra onde e como ir. A garota esperta que sempre tem uma resposta perde a fala e se denuncia pelos olhos de quem quer mais, muito mais e ao mesmo tempo quer que tudo seja tão simples, tão singelo, tão doce como chocolate... Uma vertigem prazerosa toma conta do meu corpo...sinto-me acalentada...com um beijo doce encerra-se o sonho ou acorda-me para a vida e assim renovo meu amor de corpo e alma.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

dias longos

















tem dias que parecem mais longos que os outros...hoje a noite chegou assim...de mansinho, devagarinho e foi escurecendo cada vez mais o céu que já acordou cinza.
a tristeza é fina como uma lâmina bem afiada, vai cortando...dilacerando, abrindo feridas e descobrindo que parte do que eram cacos, tornaram-se pó e assim quando você olha a sí mesmo vê que há pedaços que jamais serão preenchidos. é como colocar um ponto final em uma história que nunca começou ou como folhar um livro de páginas em branco. as vezes penso que era pra ser assim exatamente como é e por isso quando tento mudar parece que as coisas ficam fora de lugar e acabo errando, me ferindo, me tornando cada vez mais frágil e assim é um meio de voltar pra casa com as mesmas páginas em branco, é hora de cuidar dos machucados, de colar o que os cacos e formar um novo mosaíco cada vez com mais peças faltantes...acho que um dia perderá a graça remontar esses meus pedaços ou um dia não haverá mais o que montar...e tudo tinha que ser assim... pra muitos pessimismo, pra tantos outros piedade, pra mim apenas tristeza. foco todas as minhas forças e os meus sonhos no trabalho, volto a fazer o que sempre fiz...planejar um futuro sem grandes coisas, apenas que me permita viver dignamente. é bom não ter assuntos pendentes... os olhos já se fazem pesados, lágrimas regam as palavras que escrevo, vou adormecer e assim me proteger como sempre de mim mesma...do vazio que me sufoca lentamente.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

um dia que eu nem consegui acabar de escrever




o céu amanheceu num azul que Monet não saberia descrever, era lindo, tinha uma luz do sol que deixava luminoso o céu outono de ventinho gelado batendo na nuca empurrando sonhos como folhas caídas...foi assim que acordei hoje, me sentindo uma folha caída...desgarrada de algum grupo e assim levada pelo vento.
quis por um instante não me permitir lembrar que se faz um mês de um dos dias mais bonitos que já vivi e que depois...ah! depois, tantas lágrimas, tanta dor.
o vazio ainda existe, um vazio ocupado, preenchido até os cantinhos e completamente empoeirado, fraco, fino como vidro, porém sólido feito pedra.
cada dia mais tenho que dar uns passos no sentido contrário sem ao menos olhar pra trás...foi assim que você escolheu e eu assim aceitei sua sentença não como castigo mas como condição para me manter perto de você.
é engraçado como tem dias em que me sinto tão perto de você que chego a pensar que estou em um universo paralelo, porém, ao mesmo tempo tenho que deixar você ir como na realidade é que tem que ser, onde você não faz parte da minha vida além da amizade doce e bonita que esse um ano inteiro me trouxe.
dói e não sei até quando ainda irá doer, mas a dor me faz lembrar não com pesar do que eu não tenho de você e sim me faz lembrar de como é bom desfrutar o prazer da sua companhia e assim tudo vai ficando no cantinho da sala, no fundo de uma caixa esquecida, que assim como eu vai se tornando a cada dia menos necessária e menos perceptiva aos olhos alheios.
Gosto de pensar na presença não notável e na falta inexistente e sei que em breve chegarei lá.

domingo, 31 de julho de 2011

Priscila


faz muito tempo que eu não venho aqui...eu tentei resistir e não colocar nada no papel, talvez tentando evitar o registro dos meus últimos dias...dolorosos, chorosos, tristes, cinzas...pálidos.
a luz apagou e eu me perdi em cacos espalhados pelo chão...
desejei morrer pra não sentir a dor que me consumia velozmente a cada segundo, não que ela tenha passado, mas hoje consome de maneira mais lenta dando espaços pra que eu respire.
me encolhi, chorei...
o sofrimento não era uma escolha e sim um caminho sem volta do qual eu não me dei conta de como cheguei até lá...eu contei os passos, olhei pro horizonte e por muitos dias o abismo foi o único espaço que encontrei entre a vida que deixava de ser minha e a que eu queria ter...
não foi fácil me ver dilacerada em tantos pedaços sabendo que muitos deles não irão colar jamais... no espaço vazio que você deixou nada irá ocupar o que ainda é seu e talvez será sempre seu... mas a vida precisava seguir e eu precisava olhar pra ela querendo viver...foi o que fiz...olhei pra ela querendo mais do que tudo algo que só eu poderia me dar...o dever de ser feliz por mim, pra mim...
eu olhei o caminho havia luz, um sol brilhante e gélido de inverno me mostrava que a vida é composta de obstáculos mas que eu era forte o suficiente pra passar por eles e que amar não é um crime é um alimento e um privilégio...sendo assim eu te amei muito e a felicidade estava em te amar por quem você é e não por você retribuir esse amor ou não.
a vida girava tão rápido....e eu precisava caminhar, sentir o vento soprar em meus ouvidos que eu precisava ir em frente...
e assim eu vestia não mais um personagem e sim vestia-me a mim mesma, observando a mim e admirando a mim mesma e querendo a minha vida plena...
os dias passam, as imagens correm diante dos meus olhos...sou tomada por energia que se alimenta da luz do sol que me guia...bem vinda à vida Priscila.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Para Ti




eu tentei resistir e não pensar...eu pensei em desistir e não ir pra não correr o risco...mas nada me faria parar de pensar no como poderia ser bom e assim eu fui...assim me lancei no abismo sem medo do que eu poderia encontrar.
o dia se fazia calmo, um céu azul, um sol lindo e quente viria se apresentar naquela manhã. eu acordei, tomei um banho demorado, mapeando meu próprio corpo, desenhando cada curva por onde eu gostaria que você passasse, perfumei a pele, aqueci a alma, maquiei os olhos como se por eles eu pudesse expressar toda a intensidade da minha paixão...os passos eram certos, firmes e sabiam onde deveriam me levar... eu olhava livros, dentro deles como se fizesse parte das páginas quando você chegou...toda aquela fantasia perdia completamente a graça e me paralisava completamente... a cidade tinha muito de mim e eu desejei morrer para jamais perder aquele instante...o mar batia nas pedras, meu coração acelerava, um vento soprava fazendo a pele arrepiar...eu o desejava com tanta intensidade que meus pés não sentiam o caminhar por entre as pedras...eu precisava de você como o ar pra poder respirar...sentir o calor da sua pele fez um arrepio percorrer todo o meu corpo tentando me lembrar a todo instante de que eu não podia assumir o meu desejo... a beira do mar, sentados sobre as pedras, milhares de pessoas em volta e ao mesmo tempo um silêncio que me faria ouvir sua respiração... entre ruas estreitas, pedras, luminárias, sombras...eu cheguei perto demais do abismo...senti medo...medo de perder pra sempre esse prazer de te contemplar, mesmo que assim...à distância...como se eu não pudesse chegar a te tocar...meu corpo pedia pelo seu... a vida pareceu parar pra nos ver passar... falamos da vida...de planos...vontades...metas...sonhos... e enquanto eu ouvia a sua voz era como uma música perfeita, a qual eu desejaria ouvir pelo resto da vida... eu queria fazer parte dos seus planos e queria te contar como você fazia parte dos meus...a minha casa, meu espaço...eu queria dizer nossa casa, nosso espaço...algumas pinturas de Goya pra mim, Bosh pra você... a vida passa como num conto...e enquanto você imortaliza o tempo, eu me pergunto o que faço com esse frio na barriga, esse desespero e calmaria, essa agonia prazerosa...com as lágrimas que deixo cair esperando que assim eu possa diminuir o que estou sentindo...esse amor que é tão grande que não cabe mais em mim...e ao mesmo tempo penso que eu não sei ficar longe de você... eu quero você na minha rotina, eu quero você nas minhas mais doces lembranças, eu quero você mesmo que assim...meu amigo... eu quero você pra mais um café, pra mais uma brincadeira...eu quero você pra mais uma vez te dizer onde estou...eu quero você pra dizer que vou querer sempre.... e na loucura que faço eu quero você pra pai, pra namorado, pra amigo, pra amante, pra desejar e pra me desejar...pra me tomar em seus braços, me fazer ser a mulher mais feliz do mundo e num piscar de olhos não deixar que isso seja apenas um desejo solitário...eu quero você em Para ti e para mim... cada vez que eu voltar a Parati lembrarei com saudade desse dia como se ele fosse apenas meu...porque eu te amo!