terça-feira, 22 de março de 2011

Jardim para as borboletas















o céu amanheceu num azul pálido...fraco, assim como o meu corpo que não sei como se suportava em pé, eu sentia o peso de um mundo inteiro sobre minhas costas.

olhei a minha volta, perdi o horizonte, minhas borboletas estavam no chão e sem nenhuma vida.
o que um dia tinha sido um lindo e mágico jardim se resumia a folhas secas, um chão de terra batida molhado pelas minhas lágrimas que não cessavam.
decidi que o isolamento era o bem mais necessário nesse minuto, o anexo estava destruído...seria preciso cuidar daquelas raízes que transbordavam da terra formando cicatrizes fundas e dolorosas.
grandes fissuras numa pele nua...as flores estavam mortas.
guardei as cartas, guardei os livros, guardei o que estava sentindo, guardei tanto amor e carinho...fiquei vazia.
um vazio que doía dos calcanhares, as unhas e a raiz dos cabelos.
limpei os passos, apaguei o desenho que compunha esse mundo mágico agora completamente dilacerado.
estou podando o jardim e cuidando bem de mim...
é preciso, juntei as folhas secas, reguei a terra com as últimas lágrimas, enterrei as borboletas, cobri as fissuras das raízes, respirei, fiz uma prece e adormeci no chão ainda húmido sentindo todo o cansaço de um coração ferido.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

vermelho como o céu


era preciso respirar fundo pra entender o que se passava...um misto de dor e prazer tomava conta do meu corpo, eu sentia você me tocar, o beijo era lento, doce, calmo, porém me tirava de órbita.

sua boca percorria todos os caminhos da minha pele, desenhando como tatuagem cada centímetro dos tecidos que me compõem.

inebriada por um desejo de urgência, a vida girava em seus braços e abraços...de olhos bem fechados eu deixaria que você percorresse minha alma com a ponta dos dedos e mesmo sem te olhar eu sabia que você sorria o sorriso mais lindo do mundo iluminando tudo que o corpo em suas mãos respondia.

você se divertia com o desespero que me causava e me apertava junto ao seu corpo como se fosse possível fugir.

os beijos eram ávidos porém era preciso transformar o tempo em eternidade para tanto desejo.

as luzes eram amareladas pelo tempo, os vitrais ficaram embaçados pelo calor e formavam um prisma lindo pelo efeito da claridade que me encantava ao cobrir os vidros coloridos.

a chuva começava a cair do lado e um frescor viria a percorrer os corpos.

não precisávamos de palavras pra descrever a beleza da imagem que se formava, não seriam preciso justificativas plausíveis pra dizer porque o dia amanhecia em estado de profunda graça e calmaria.

o sol gélido jamais tinha amanhecido banhado de tanto calor e doçura.
éramos um e amanhecíamos pra um novo dia.

bom dia anjo doce!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

se fosse pra explicar...

acho que perdi parte do caminho pra voltar pra casa...as vezes é assim que parece quando fico muito tempo fora daqui.
vejo as coisas passarem por mim em câmera lenta e é como se eu perdesse detalhes da vida que me cerca.
ando inebriada em meus próprios pensamentos tortuosos procurando a mim mesma, procurando meus passos lentamente inacabados e talvez seja assim pra sempre.
sigo meus desejos...abro minhas asas e me permito voar.
posso sentir você me tocar, posso sentir você respirar, um calor intenso toma conta do meu corpo só pelo fato de ler seu nome...
se isso é um desejo, então não resisto mais...te desejo com toda a força do mundo, um mundo que passou a ter mais graça porque você apareceu nele, um mundo colorido visto por olhos em preto e branco onde você se torna meu porto seguro, onde quero repousar depois de um dia intenso, onde encontro paz pra minha alma em completa euforia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

em tons de cinza

o dia amanheceu nublado, nublado como os meus olhos, cinza como tudo dentro de mim.
não sei quando tudo terá um fim, porém se faz necessário pensar.
um final talvez para a menina Yuki, uma liberdade para sua alma, um descanso para seu espírito.
embora tenha ar de menina, hoje ela parecer ter uns cem anos e precisa descansar.
penso seriamente que talvez seja a hora de fazê-la parar de se machucar.
seus olhos brilham pelas lágrimas que não pode deixar cair, seus lábios ensaiam um sorriso doce cada vez que a alma suspira e pede clemencia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

muitas coisas

porque o que sinto é tão dificil de colocar no papel? você me faz perder as frases, eu deixo de articular os verbos, não consigo construí-las.
tudo fica ao contrário e ao mesmo tempo no lugar de onde nunca deveriam ter saído.
e pela primeira vez em dias, em muitos dias eu sinto meu corpo querer parar, parar não para observar mas parar pra deixar de doer.
quando dei entrada naquele pronto socorro, me sentia péssima pela crise alérgica mas mais péssima ainda por tirar de casa as pessoas tão cansadas e que nenhuma desculpa me deixaria redimir de tal transtorno e dessa vez por mais medo que eu tivesse quando senti o remédio percorrendo minhas veias, acelerando tudo como se tivesse que me fazer viver eu não clamei pelo colo doce da minha mãe, ela estava cansada demais e eu não era uma menininha assustada.
hoje fiquei pensando...se ela não existisse eu não teria ninguém por mim, doeu...
doeu saber que cada vez que quero alguém perto somente a encontro, talvez por ela ser a minha mãe.


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

entre linhas

eu que falei sem pensar...ah! eu que não consigo te dizer o que quero, vou ao céu e ao inferno tentando decifrar o que suas frases soltas querem dizer, tentando que você entenda o que eu desejo.
não posso esperar...não posso contar...e não posso viver assim...

sábado, 25 de dezembro de 2010

pedi aos céus que atendessem meu desejo...

sábado, 4 de dezembro de 2010

a energia




a inquietude durou por bons longos três dias, mas a energia consumida era tanta que acabou por faltar, hoje pela manhã o sono já era tamanho que me faria querer esquecer que já estava na hora de levantar.

talvez como pré anuncio do que viria depois, acordei e desejei não abrir os olhos e muito menos retirar meu corpo da inércia.
olho da minha janela e todo aquele horizonte cheio de vida agora não vejo mais, a minha frente somente um muro cinza alto demais pra ser escalado e sem nenhuma recompensa do outro lado e assim voltei ao meu normal quando me dei conta de que desisti.
sim, eu desisti de atravessar o muro que até dois dias atrás parecia apenas uma pedrinha a ser pulada.
voltei pra casa, pro anexo...arrumei as gavetas, guardei os vestígios, apaguei imagens, redesenhei o mesmo caminho vazio.
estou novamente só tentando me apagar da vida das pessoas.
meus erros: ter nascido e não ter coragem pra colocar um fim a tudo isso.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Inquietude



tomada por uma urgência, um desejo de hoje, de viver as horas minuto a minuto, uma inquietude transbordante, uma energia que parecia transpor minha pele, um ritmo alucinógeno, uma sensação de que as imagens estão em câmera lenta e que eu precisaria correr o mundo inteiro até meu fôlego acabar, foi assim que acordei essa manhã, o sol ainda não tinha surgido e dentro de mim a vida pulsava querendo ser consumida.

levantei-me...deixei que a água caísse demasiadamente escorrendo por cada curva do meu corpo, uma sensação de prazer me envolvia, espalhava-se pelo corpo o cheiro doce...morango com champagne, eu me sentia no centro de um furacão, senti a alma se encher de uma felicidade que ultrapassava os limites.
o abismo me chamava e eu desejava cair só pra sentir o vento bater no meu corpo, um misto de calor e frio, um desejo...
me vesti para um bom dia e é como se tudo estivesse a meus pés.
meu desejo me consome, me dilacera, me absorve...
maquiei os olhos como se por eles pudesse expressar toda essa urgência de vida, a volúpia da minha vontade, do meu desejo.
eu quero...hoje...agora...


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

la tristesse fait partie de l'amour



Eu olhava como os galhos das árvores se moviam com velocidade anunciando que a tempestade viria.
sentei para esperar pela chuva e a cada vez que os galhos se balançavam eu sentia uma certa inveja pela liberdade que tinham.
fiquei ali uma hora, duas, um dia inteiro e a chuva não veio, não veio e não lavei minha alma.
observei o movimento das pessoas, vi pessoas como eu e outras muito diferentes.
dizem que a gente deve alimentar os sonhos mas hoje cheguei a conclusão de que não tenho mais o que alimentar, ou melhor, cansei de alimentar o que demorei pra descobrir não me pertencer.
brincamos de viver enquanto esperamos morrer com dignidade.
quando criança eu vi "a bela e a fera" que nos ensinava a não olhar o que há por fora e sim o que há por dentro das pessoas, acho que aprendi, mas assim descobri também quem eu sou e me conformei a que lado eu pertencia.
os sonhos foram ficando mais secos, diminuindo e tudo que estava ao meu alcance foi feito, hoje olho pra trás e sim, mesmo que eu seja a única a isso sinto orgulho pela determinação, pelo empenho, pelo sacrifício mas ainda assim com o prazer da linha de chegada e eu cheguei, cheguei
aos sonhos que eu pude, aos sonhos que não dependiam diretamente de outras pessoas além da minha família, assim me condicionei a desejar apenas o que eu poderia alcançar "sozinha".
hoje o dia amanheceu como eu...cinza, triste, solitário, um pouco amargo, talvez ácido, mas acima de tudo com nuvens carregadas que foi difícil segurar o dia todo.
eu precisava chorar, ficar quietinha, escrever essas palavras.
estou triste sim e muito, mas vai passar, sempre passa ou melhor acho que ao longo do tempo assim como os sonhos que aprendi a não desejar, também aprendi a lidar com essa minha tristeza. Existem dias em que dói, uma dor fininha no coração e faz com que o ar pareça faltar.
Aí é quando eu respiro fundo, olho pro nada com olhos perdidos no tempo de quem não se deu conta ainda que o tempo vai acabando devagar demais as vezes, rápido demais outras tantas.
deixo as lágrimas caírem e procuro um esconderijo só meu para ficar lá até que a dorzinha diminui ou que eu simplesmente aprenda a conviver com ela, com mais uma, sim as vezes elas chegam e se instalam.
as vezes viver é difícil e já ouvi algumas frases do tipo não disseram que seria fácil apenas que valeria a pena.
mas será que é assim mesmo? acho que tudo vai de uma outra frase também que diz bem vindo ao convívio dos eleitos.
e ai está outra questão, que eleitos? nem sempre fazemos parte desta eleição porque quando acordamos do conto de fadas percebemos onde está o erro, estamos alimentando sonhos que jamais alcançaremos.
é um bocado triste quando se descobre que alguns sonhos não podemos contemplar nem mesmo em sonhos, seria sofrer duas vezes, seria cruel demais alimentar o desejo do que jamais irá existir e ao mesmo tempo cairmos nessa armadilha.
alimentamos sonhos que sem nenhuma piedade nos dizem que são sonhos falidos e ainda riem sarcasticamente do que desejamos como se dissessem "onde você imaginou que isso poderia lhe acontecer?" e o pior de tudo não é ouvir, não é...e sim, saber que se tem razão.
ah! essa talvez seja a maior crueldade, se permitir sonhar e cair da nuvem quando descobre que "este" tipo de sonho é impossível a si.
caminho pertinho do abismo, brinco com os pés antes de me deixar cair, pareço infantil e as vezes é como uma criança mesmo que me sinto, tentando me proteger de mim mesma vou criando labirintos por onde eu possa andar sem que me vejam chorar.
desapareço como fumaça e não deixo caminhos abertos...não há uma ausência de uma presença jamais notada.
fechei os olhos e deixei o vento me assoprar...vi pessoas agitadas andando perto de mim mas eu não era capaz de ouvi-las, senti o gosto do meu sangue na garganta e de repente tudo ficou iluminado, eu não sentia dor mas era incapaz de mover qualquer parte do meu corpo...você sorriu e eu perdi você dos meus olhos.
voei sem ter asas.