sexta-feira, 17 de julho de 2009

Morrer é sair de cena com dignidade

Morrer era o pensamento que embalaria o sono torpe e frágil daquela noite, ela havia caido em sí e a realidade a tirava daquela mistura de desejo e sonho em que o dia havia passado.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Madrugada

O relógio marcava 4h09 desta nova manhã...os cabelos estavam molhados, a roupa úmida e sem parecer um sonho havia um peso de um outro corpo sobre mim...tentei não abrir os olhos, mas queria olhar nos olhos da boca que me consumia com volúpia, desejo e veemência.
Sem chance para nenhum pensamento, tatiava aquele corpo que a cobria e a fazia sentir calor, frio, uma mistura de sensações completamente novas e inexplicáveis.
Absorvendo toda a beleza daquele momento ela respirava profundamente e perdia o ar nos lábios que a calavam.
Naquela saliva sorvida com avidez, ela identificava o corpo e a alma do ser que a apertava, abraçava, invadia e amava aquele corpo miúdo para grandes mãos que decorando o caminho da sua pele tatuaria seu corpo.
A cabeça rodava em movimentos tão rápidos que chegavam a dar certa vertigem mas devidamente segura em suas mãos ela chegaria perto das nuvens cada vez que seus dedos entrelaçavam seus cabelos.
Um frio percorreria a alma cada vez que seus olhos cerravam com aquela boca que se desviava da sua para percorrer seu pescoço...suas costas...sua nuca.
E suas mãos pequeninas desafiava seu sentido tentando identificar na ponta dos dedos as costas desse amigo inimigo que ela não queria e nem teria forças pra lutar.
Embalados pelo silêncio da madrugada recorrente ele passearia pelo corpo dela iluminado apenas pela luz temerária de um pequeno abajour.
Não precisavam de palavras pra traduzir aqueles sentimentos que agora movidos por um desejo mutuo não se permitiria mais que fosse esquecido.
Formando um belo quadro os dois corpos por instantes se confundiam...criando um para o outro um caminho enigmático de descobertas, de medo, de prazer, de paixão.
O tilintar do telefone junto a madeira despertaria essas almas, devolvendo-as a seus lugares e guardando o segredo desta noite, um sol radiante iluminava a manhã gelada deste inverno, trazendo beleza e energia para o novo dia que nascia.
Ainda era possível sentir as mãos ágeis em seu corpo naquela manhã, ela levantaria e acordaria do sonho...deixando a água deslizar pelo corpo ainda quente sentia um misto de paz e euforia que faria com que ela desejasse viver.
Escolheu uma roupa especial, sapatos especiais, maquiou os olhos, pintou a boca e se apresentou para o dia ainda flutuando pela beleza daquele desejo da vida, de quem tem pressa sem correr, de quem tem fome sem querer comer, de quem espera sem querer chegar, de quem observa sem ser visto, de quem ouve sem escutar, de quem ama sem poder amar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Egon Schiele...o dia de hoje...a noite de ontem


Depois de mais algumas páginas dessa magnifica história e de dar umas boas risadas e derrubar umas lágrimas com o filme "A Proposta" fui pra casa...
Caminhei pelas ruas sentindo o vento que me dilacerava mas ao mesmo tempo confortava o tão inquieto pulsar do meu coração.
Era perto das dez quando no caminho apreciei a chuva fina que caia e molhava meu corpo deixando a roupa gelada mais colada a pele. Um arrepio percorria toda a alma...e eu me entregaria as minhas fantasias e lágrimas com desespero...desejo e paixão.
Chorei por mim..."odeio desejar todos os dias...da hora que abro os olhos a hora que vou dormir"...eu disse.
Embalada pelo silêncio deixei meu travesseiro molhado até que os olhos pesaram mais do que o que eu poderia suportar para deixa-los abertos...adormeci.
Rezei por mim...
Hoje me despeço de Alfonso (Fonchito), Lucrécia, Rigoberto e talvez de Egon Schiele também...dos cadernos...dos devaneios...dos desejos...das loucuras.
Desejei ser apenas um personagem nas mãos de algum autor, só para ter um final feliz...senti um peso imenso de pensar que os dias passam, que as horas mudam e eu estou no mesmo lugar.
Hoje precisava andar, sem limite para os passos...ver pessoas que sinto saudade sem que nunca as tenha visto ou mesmo que elas existam como Ricardo.
Misturo realidade com fragilidade, descubro uma ficção e um sonho inexistente. As vezes me chamam por Priscila, outras vezes sou Yuki e quase nunca sou Raquel e sou todas elas...
Passeio pela vida, brinco com o perigo e ando perto do abismo esperando o melhor momento de me lançar...ganho, acerto, erro, me deixo bater...como um bicho assustado me escondo no escuro com medo do meu predador: a vida.
Me permito um mundo e pago o preço dele...Amo quem não deveria e em uma fuga constante engano a mim mesma.
Abro os olhos e me assusto com o que vejo, peço perdão pela minha ignorância e minha ausência de mim mesma, as coisas ficam cinzas e não consigo achar o que perdi e nessa busca do que nem eu mesma sei, eu deixo feridas abertas, machucados que sangram, vou ao fundo do poço...sinto dor e medo.
Uma solidão sem tamanho dimensiona meus medos e eu espero a proteção do inimigo que sem dó nem piedade me apunhala pelas costas com a maior facilidade do mundo...morro em seus braços e ainda peço perdão.
Crio os meus personagens....F. (sem dúvida um que deixará fortes saudades) me tirava de órbita, me deixava em êxtase, eu queria um café com beijo, eu queria uma conversa sobre gravata, eu queria contar do livro novo, eu queria um boa noite depois da faculdade...mas Eduardo por quem nem mesmo morta eu o esqueceria, um oi moça, uma boina vermelha, um amor pra vida e pra morte, um anjo que me salvaria e me deixaria quando a missão parecia completa, levou parte de mim, deixou parte de sí, me fez ver e acreditar, me fez voar sem ter asas e sentir prazer em ver o dia nascer e ouvir eu quero te ver, eu quero você, mas as coisas passam...outras pessoas batem na porta e eu preciso que elas entrem, me visitem, tomem café, mesmo que depois elas também precisem partir.
Pessoas e coisas passam por mim e eu anonimamente me sinto a vontade entre elas...sem deixar que percebam eu as observo, eu as admiro, eu as odeio, eu as amo. Tudo é intenso e louco.
Como em uma pintura exposta, observo meus personagens na exposição da vida...brinco com eles, mudam de lugar e por instantes sou curadora e tenho seus destinos em minhas mãos. Fabrico sonhos e desejos...devaneios e anseios...calo todos eles com um único olhar de reprovação, onde me divirto ao vê-los aos meus pés.
Pés, esses que me levam ao mar...as ondas que me chamam e me fazem ver o quão pequenina sou diante do que não conheço, dos mistérios da vida por onde não pisei...por onde sequer imagino estar e como se me acordasse, me faz ver a grandiosidade do que tenho nas mãos.
Tatiando um sonho bom, espanto meus medos e já não me sinto tão só.
Conto nuvens enquanto espero...e amo olhar a chuva...lavando corpos, limpando almas perdidas que depois de molhadas exibem seus magníficos sentidos levados pelo vento ao encontro de outras almas.
Da minha janela observo a vida que se movimenta entre as árvores de pedras, os ferimentos que pessoas que eu não conheço curam todos os dias....quantos agora choram? e eu espero apenas que sorriam.
Sinto falta da agonia fina e delicada da espera...do frio na barriga...da resposta que o corpo emite cada vez que a vida se movimenta e eu consigo enxergar todas as cores que se abrem a minha frente e me deixam flutuar e descobrir coisas como as pinturas de Egon Schiele...além de Alfonso, eu também quero saber mais sobre ele.
Comentei hoje que queria ter um café...ouvir pessoas e suas histórias, lendas...ter livros, filmes, sofás, pessoas pintando, esboçando o cotidiano como os grandes mestres que transformam suas telas em pedaços de vidas anonimas e onde revelam suas mentes, muitas atormentadas mas intensamente vividas.
Nesse café certamente estariam Rigoberto, Anne, Peter, Liesel, Rudy, Lucrécia, Fonchito, Ricardo, Daniel, Ena, Egon, Vincent, Monet, Renoir, Goya e os amigos J. A. L. S. Lu. e muitos outros...e em uma delirante apresentação todos fariam parte de um grande quadro: a minha vida.
Durmam bem...meus amores.

terça-feira, 14 de julho de 2009

hoje pela manhã

Abri os olhos essa manhã e devidamente tomada pelos meus sonhos levantei-me da cama, deixando ali o calor do meu corpo...observei pelos vãos da janela que o sol iluminava a vida que começava nesta manhã, respirei fundo buscando o ar que me parecia faltar....lembrei-me de Daniel, Rigoberto, Alfonso, Ena, Anne e todos os outros mas em especial de Ricardo...o doce apaixonado que tanto eu desejaria que saísse daquelas páginas...Debaixo do chuveiro lembro-me dos últimos dias que passei ao lado da pessoa que seria a mais especial que eu tinha conhecido...uma dorzinha fina toma conta do corpo, sinto a água deslizar pela pele...vejo a espuma branca que cobre meu corpo e desejo que elas sejam pequenas mãos a passear pela minha pele.
Sinto as lágrimas rolarem pelo meu rosto e uma sombra a se abater sobre mim...a tristeza me entorpece...fecho os olhos e a imagem que vejo é de um passado não tão distante como eu gostaria que hoje fosse pra mim...pisco os olhos na intenção de que sua imagem desapareça mas é exatamente o contrário.
Os dias passam e eu não consigo sair desses sentimentos e pensamentos que você me colocou.

Olhei-me no espelho e percebi que o tempo passa...envelheço...me esqueço...por instantes hoje mais do que nunca desejei perder essa parte da minha memória.

sábado, 4 de julho de 2009

eu andei...deixei as marcas dos meus pés na areia...fui de encontro ao mar....as ondas batiam contra mim como se tentassem em vão me acordar...
o céu estava azul, pleno e radiante, mas o vento era gelado e corriam as gotas d'água na minha pele.
parei e contemplei aquela imagem de natureza viva...estava tão viva que me tirou do transe que eu me encontrava...respirei fundo na intenção de buscar um pouco daquela vida pra mim...deparei-me com minha insignificancia diante daquela magnetude...e mais...
a minha delicada presença diante do imenso oceano de possíbilidades que é a vida.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pablo...

Poema Material Nupcial de Pablo Neruda
De pie como un cerezo sin cáscara ni flores,especial, encendido, con venas y saliva,y dedos y testículos,miro una niña de papel y luna,horizontal, temblando y respirando y blancay sus pezones como dos cifras separadas,y la rosal reunión de sus piernas en dondesu sexo de pestañas nocturnas parpadea.
Pálido, desbordante,siento hundirse palabras en mi boca,palabras como niños ahogados,y rumbo y rumbo y dientes crecen naves,y aguas y latitud como quemadas.
La pondré como una espada o un espejo,y abriré hasta la muerte sus piernas temerosas,y morderé sus orejas y sus venas,y haré que retroceda con los ojos cerradosen un espeso río de semen verde.
La inundaré de amapolas y relámpagos,la envolveré en rodillas, en labios, en agujas,la entraré con pulgadas de epidermis llorandoy presiones de crimen y pelos empapados.
La haré huir escapándose por uñas y suspiros,hacia nunca, hacia nada,trepándose a la lenta médula y al oxígeno,agarrándose a recuerdos y razonescomo una sola mano, como un dedo partidoagitando una uña de sal desamparada.
Debe correr durmiendo por caminos de pielen un país de goma cenicienta y ceniza,luchando con cuchillos, y sábanas, y hormigas,y con ojos que caen en ella como muertos,y con gotas de negra materia resbalandocomo pescados ciegos o balas de agua gruesa.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

30/06

Feliz Aniversário, muitas coisas boas pra vc. Acho que a vida me deu a oportunidade única de conhecer uma pessoa que me fez tão bem como vc. Desejo todos os dias desde aquele dia no Little Darling que vc seja a pessoa mais feliz do mundo. Nada do que eu tenha falado que tenha te deixado magoado comigo era realmente verdade...fique só com alguma coisa boa que eu tenha deixado pra vc.Acho que queria dizer tantas coisas que as palavras parecem faltar. Certamente vai ser um clichê pra vc se eu disser que o aniversário é seu, mas o presente é todos aqueles que como eu tiveram o prazer da sua companhia e mesmo que tenha sido pouco, desfrutei da sua prensença na minha vida e posso dizer que mesmo tanto tempo depois e muitas coisas depois, ainda me lembro com saudade daqueles dias...uma boina vermelha, um sorvete, um "oi" moça...Que hj todos os desejos se realizem, que tudo que vc espera da vida se torne real e que vc comemore hj, amanhã e todos os dias....Adoro vc, mesmo que vc não acredite, não me esqueça;

segunda-feira, 22 de junho de 2009

essa manhã

O dia apresentava uma névoa branca e linda que cobria a paisagem fria e gélida desta manhã. Por mais que a paisagem fosse entristecida era linda e observa-la ao som de Björk foi algo que não hesitei em fazer.
Estava com saudade desse meu momento. Pensei nos passos que estou dando agora, pensei na vida e pensei em como não posso prever o futuro.
Desta forma decidi me lançar...desta vez sem o medo do abismo. Não sei o que será, nem mesmo se será algo.

sábado, 13 de junho de 2009

Em casa

Depois de longos vinte dois dias fora, estou de volta em casa. Chegar...esse foi o pensamento que tomou conta do dia...

Passei por tantos lugares, por tantas pessoas e senti muitas coisas. Medo, saudade, ansiedade, emoção.
Como explicar o que senti quando cheguei e avistei o amanhecer de Madrid? ou como foi lindo olhar a luz em Porto e dizer que nada disso era o que eu esperava naquele momento além do abraço e do afago doce da minha irmã?...por mais que a beleza do lugar e as coisas me chamassem atenção, o que eu queria era ve-la, senti-la...minha tata.
E claro que não dá pra não falar do sentimento de segurança que foi avistá-los ali a nossa espera. Do rodopio gostoso que me fez lembrar da infância enquanto meu cunhado me balançava no ar.
Dos sorrisos doces que nos esperavam na porta do prédio em Ponferrada e dos maravilhosos dias ao lado dos meus amores...meus sobrinhos.

Esses dias fora me fizeram ver coisas que jamais imaginei ter visto, sensações que não fazia a menor idéia, costumes, jeitos, cores...sabores e o quanto é bom voltar pra casa.
Passar por lugares que escrevem parte da história do mundo. Observar ritmos diferentes, vivências diferentes.

Aprendi, brinquei, sorri, me emocionei...chorei.

Dos lugares, nada foi como estar em Toledo e Bilbao...toda a história diante dos olhos em Toledo, a cidade murada e toda a beleza moderna de Bilbao.
O Guggenheim...sem palavras.
A ponte de Calatrava...o metrô de Foster...
A cidadezinha francesa...bucólica...
A alegria contagiante portuguesa
A calmaria da vida espanhola

Caminhei perto da história...olhei de perto alumas coisas e vi a vida por um outro ângulo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Malas prontas e um frio na barriga

Acho que quando chegamos perto demais de um desejo sentimos um frio que percorre o corpo todo.
A adrenalina banha todos os sentidos...mais atentos ou mais medrosos, mais intensos ou apenas tentando levar plenamente.
Eu quis dividir esse desejo...